Após 9 anos ''de sofrimento'', professora abandona magistério
Cansada do salário baixo e das condições ruins de trabalho, Rita abre mão de 2 empregos públicos e decide virar autônoma
Luciana Alvarez
"Era muito sofrimento", resume a ex-professora Rita Rodrigues, que após nove anos dando aulas de artes nas redes estadual e municipal de São Paulo decidiu no ano passado mudar de carreira. Ela abriu mão da estabilidade de dois concursos públicos para se tornar autônoma - aos 28 anos, faz consultoria de harmonização de ambientes com base na técnica chinesa do Feng Shui. "Foi triste largar. A gente se sente bem quando dá uma boa aula, mas não tinha condições de trabalho." Rita entrou na rede estadual quando ainda era estudante. "Tinha 18 anos e estava na faculdade, mas como faltava professor eles aceitavam", conta. Ao se formar, passou em dois concursos. Durante seu período de magistério, atuou em todas as séries do ensino fundamental e médio de escolas de várias regiões da capital. Segundo ela, com condições de trabalho sempre difíceis.
"Nunca tinha material, precisava tirar do meu bolso para comprar algumas coisas e fazer um bom trabalho. Depois ainda via os políticos na TV dizendo que tudo estava uma maravilha", reclama. O baixo salário e desvalorização da carreira por parte da sociedade também pesaram em sua decisão. "Participei de três greves. Mas a gente passa maus bocados e ainda é visto pela sociedade como vagabundo." Rita diz que, com o tempo, começou a ficar desanimada e até depressiva. "Era comum chegar em casa e chorar, estava sempre estressada. Quem trabalha de verdade se desgasta, fica doente." Segundo ela, vários colegas também estão desistindo do magistério. "Admiro quem consegue se manter dando aulas pelo amor à profissão. Para mim, são mártires."
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Matéria publicada na Folha de São Paulo de, 18 de janeiro de 2011.
CÓDIGOS DE CONVIVÊNCIA
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A interação com o mundo é governada por códigos implícitos e explícitos, ensinados em casa e na escola
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AS FÉRIAS escolares vão chegando ao fim. Fevereiro vem com as inevitáveis e repetitivas questões dos alunos: com que professora vou cair? Em que classe vou parar? Vou ficar com os colegas de que gosto?
O importante de todas essas dúvidas é que elas acenam para o fato de a criança conhecer a escola que a espera. (A não ser que ela esteja mudando de escola.) A volta à escola não é apenas um retorno a uma certa rotina. É também ganhar de volta a vida entre os pares: alunos, mestres e diretores.
Escola é um espaço restrito dentro de um grande espaço público que é a sociedade.
Não é só a família e sua estrutura hierárquica que comandam fazeres e poderes.
Junto com a escola, aparece o poder do Estado, que parece mandar em todos e a quem todos obedecem. Eis aí um primeiro contato com a força virtual que tem representantes ao nosso lado, mas não tem forma.
É na escola que se formalizam as ligações com a nação, com a língua, onde se aprende a distinguir entre todas as coisas que libertam, garantem e limitam.
Por exemplo: a criança pode dizer "você", "senhora" , "tia" -mas quando deve usar tal e tal chamamento? São milhares de pequenos detalhes, códigos implícitos ou explícitos que governam a interação com o mundo.
O uso da percepção é vital para acertar o bem viver no mundo. O código da escola é diferente do código de casa/ família que é diferente dos códigos que governam outros locais públicos.
Fevereiro é o tempo de voltar das férias, dos resorts, dos acampamentos, de todos os espaços públicos aos quais o aluno não tem acesso no tempo de aula.
A casa onde se vive com a família é diferente de lugares públicos. Nela não se troca usando dinheiro como intermediário. Mesmo na cantina da escola, ou no pipoqueiro, o dinheiro ou o fiado é sempre presente.
Na escola, a existência é autônoma, mas com origem familiar. Na escola, o aluno é nome, sobrenome, endereço.
É um " eu" público -marca registrada que vai permitir uma cidadania, fazer parte de um todo, sem que, por isso, ele se sinta aniquilado.
É possível aguentar o silêncio e escolher a opinião pública à qual se quer aderir. Sobressair-se do impessoal, processo cujo primeiro passo é dado na escola, muitas vezes é insensato, porém necessário. É cauteloso perceber sempre (voltamos à importância da percepção) os códigos de conduta de cada grupo, universo social, especialmente aqueles que não são explicitados.
Cabe à escola e à família, nos primeiros anos de vida, ensinar mais do que códigos: ensinar a perceber códigos.
Para a criança que ainda não formou o seu "eu", é difícil perceber qual o comportamento adequado num lugar público que não conhece.
Para a criança, o anonimato é doloroso. Por isso é tão importante para ela escutar sua própria voz. Daí a algazarra comum das crianças nos lugares públicos.
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ANNA VERONICA MAUTNER, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, é autora de "Cotidiano nas Entrelinhas" (ed. Ágora)
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A interação com o mundo é governada por códigos implícitos e explícitos, ensinados em casa e na escola
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AS FÉRIAS escolares vão chegando ao fim. Fevereiro vem com as inevitáveis e repetitivas questões dos alunos: com que professora vou cair? Em que classe vou parar? Vou ficar com os colegas de que gosto?
O importante de todas essas dúvidas é que elas acenam para o fato de a criança conhecer a escola que a espera. (A não ser que ela esteja mudando de escola.) A volta à escola não é apenas um retorno a uma certa rotina. É também ganhar de volta a vida entre os pares: alunos, mestres e diretores.
Escola é um espaço restrito dentro de um grande espaço público que é a sociedade.
Não é só a família e sua estrutura hierárquica que comandam fazeres e poderes.
Junto com a escola, aparece o poder do Estado, que parece mandar em todos e a quem todos obedecem. Eis aí um primeiro contato com a força virtual que tem representantes ao nosso lado, mas não tem forma.
É na escola que se formalizam as ligações com a nação, com a língua, onde se aprende a distinguir entre todas as coisas que libertam, garantem e limitam.
Por exemplo: a criança pode dizer "você", "senhora" , "tia" -mas quando deve usar tal e tal chamamento? São milhares de pequenos detalhes, códigos implícitos ou explícitos que governam a interação com o mundo.
O uso da percepção é vital para acertar o bem viver no mundo. O código da escola é diferente do código de casa/ família que é diferente dos códigos que governam outros locais públicos.
Fevereiro é o tempo de voltar das férias, dos resorts, dos acampamentos, de todos os espaços públicos aos quais o aluno não tem acesso no tempo de aula.
A casa onde se vive com a família é diferente de lugares públicos. Nela não se troca usando dinheiro como intermediário. Mesmo na cantina da escola, ou no pipoqueiro, o dinheiro ou o fiado é sempre presente.
Na escola, a existência é autônoma, mas com origem familiar. Na escola, o aluno é nome, sobrenome, endereço.
É um " eu" público -marca registrada que vai permitir uma cidadania, fazer parte de um todo, sem que, por isso, ele se sinta aniquilado.
É possível aguentar o silêncio e escolher a opinião pública à qual se quer aderir. Sobressair-se do impessoal, processo cujo primeiro passo é dado na escola, muitas vezes é insensato, porém necessário. É cauteloso perceber sempre (voltamos à importância da percepção) os códigos de conduta de cada grupo, universo social, especialmente aqueles que não são explicitados.
Cabe à escola e à família, nos primeiros anos de vida, ensinar mais do que códigos: ensinar a perceber códigos.
Para a criança que ainda não formou o seu "eu", é difícil perceber qual o comportamento adequado num lugar público que não conhece.
Para a criança, o anonimato é doloroso. Por isso é tão importante para ela escutar sua própria voz. Daí a algazarra comum das crianças nos lugares públicos.
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ANNA VERONICA MAUTNER, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, é autora de "Cotidiano nas Entrelinhas" (ed. Ágora)
domingo, 9 de janeiro de 2011
LIMITES: Essenciais para as crianças
Ações como gritar excessivamente e bater são vetadas por psiquiatras, psicólogos e psicopedagogos. De acordo com Içami Tiba, autor de “Disciplina: Limite na Medida Certa” (Integrare Editora), as crianças aprendem com o que os pais fazem. Se eles batem na criança, “o filho aprende a linguagem da violência”. A psicopedagoga Larissa Fonseca afirma que tanto gritar quanto bater demonstram falta de controle pessoal dos pais, o que é bastante danoso para a criança. “Gritar é mostrar que a criança te afetou – e ela adora isso”, afirma Larissa.
Leila Tardivo, professora do Instituto de Psicologia da USP, explica que as crianças, como todas as pessoas, precisam de atenção. “Se os pais só olham para a criança quando ela faz algo de errado, ela continuará fazendo isso”, fala. Na opinião de Dora Lorch, psicóloga e autora do livro “Superdicas para educar bem seu filho” (Editora Saraiva), educar é passar por certos desconfortos. Ou seja, dar bronca é chato e prometer um chocolate para a criança parar de chorar parece bem mais fácil. Só que os pais precisam estar preparados para se posicionar quando as desobediências acontecem.
Mas como se posicionar corretamente? Consultamos especialistas que resumiram 9 frases que não devem ser ditas para a criança.
1. “Não te amo mais”
“A criança é muito mais frágil que o adulto. Tudo que se fala ganha uma dimensão maior”, comenta Dora Lorch. Portanto, ouvir uma frase destas da boca dos pais pode causar estragos. Larissa Fonseca explica que esta falta de aceitação pode ser muito forte. “A criança não consegue entender a complexidade do mundo, e alguns adultos não têm consciência disso”, diz Larissa.
2. “Você é feio”
Xingamentos e palavras feias podem afetar a formação da autoimagem, explica Leila Tardivo. Repetidos excessivamente, também podem ser considerados violentos. Larissa Fonseca aponta que existe uma diferença sutil, mas essencial entre “você é feio” e “o que você acabou de fazer foi muito feio”, que desloca o adjetivo negativo para a ação e não para a criança.
3. “Vou te matar”
“O que traz a educação é a firmeza, e não a agressividade”, diz Içami Tiba. Ameaças do tipo servem apenas para criar medo nas crianças, o que, segundo o psiquiatra, não leva a lugar algum. “O medo não educa, só traumatiza”, diz Içami. A longo prazo, a intimidação tampouco é efetiva e esvazia o discurso dos pais, já que eles obviamente não vão cumprir o que prometeram. “Primeiro, as crianças sentem um desamor muito grande. Depois, quando descobrem que as ameaças não funcionam, não levam mais os pais a sério”, afirma Dora Lorch.
4. “Nunca mais te trago aqui”
Como a noção temporal das crianças é diferente, as punições precisam ser imediatas.
Este tipo de ameaça também não faz efeito por ser mentirosa. “As crianças sentem que estão sendo enganadas. E isso não faz bem para elas”, diz Larissa. Dora Lorch aponta que ameaças do tipo, assim como “você nunca mais vai ver televisão” ou “nunca mais vou falar com você”, passam uma ideia ambígua para criança, o que prejudica a sua formação moral.
5. “Você puxou o seu pai” ou “Você é igualzinho a sua mãe”
Quando os pais estão separados e há algum conflito entre ambos, não é nada saudável usar este tipo de frase. Segundo Leila Tardivo, as crianças entendem que elas são parecidas com a parte rejeitada – e se sentem dessa forma.
6. “Se ficar bonzinho, dou um chocolate para você”
Comportar-se bem, arrumar o quarto, guardar os brinquedos ou fazer a lição de casa são responsabilidades dos filhos, por isso eles não precisam ganhar nada em troca quando fazem isso. Quando os pais fazem estes acordos de maneira repetida, os filhos podem achar que não se tratam de deveres. “A criança precisa aprender a fazer as coisas por responsabilidade, e não porque vai ganhar algo”, diz Larissa.
7. “Para com isso, todo mundo está olhando!”
Esta frase é mais fruto do embaraço dos pais que um tipo de bronca para os filhos. Segundo Içami Tiba, ela também passa a mensagem da “campanha da boa imagem”, quando a criança só tem que parecer educada para os outros. “O que os pais estão falando é um problema deles. As crianças não ligam para o que os outros estão vendo”, explica.
8. “Fica quieto!”
No geral, as crianças tendem a atender ordens mais específicas. Quando escutam frases como esta, elas se confundem. “Ela não sabe se é para parar de falar, de pular ou de fazer o que está fazendo”, diz Dora Lorch. Os pais devem apontar exatamente o que eles gostariam que a criança fizesse.
9. “Limpe já seu quarto, senão você vai ficar de castigo”
“Quando um adulto coloca um ‘senão’ do lado de suas ordens, isso quer dizer que ele não acredita muito nelas”, diz Dora Lorch. Isso demonstra que os próprios pais já estão negociando, o que faz com que as crianças não respeitem as ordens dadas. Os “senões” só podem aparecer quando a criança questionar muito. “Firmeza é dizer que não pode, e não poder mesmo”, resume Içami
Leila Tardivo, professora do Instituto de Psicologia da USP, explica que as crianças, como todas as pessoas, precisam de atenção. “Se os pais só olham para a criança quando ela faz algo de errado, ela continuará fazendo isso”, fala. Na opinião de Dora Lorch, psicóloga e autora do livro “Superdicas para educar bem seu filho” (Editora Saraiva), educar é passar por certos desconfortos. Ou seja, dar bronca é chato e prometer um chocolate para a criança parar de chorar parece bem mais fácil. Só que os pais precisam estar preparados para se posicionar quando as desobediências acontecem.
Mas como se posicionar corretamente? Consultamos especialistas que resumiram 9 frases que não devem ser ditas para a criança.
1. “Não te amo mais”
“A criança é muito mais frágil que o adulto. Tudo que se fala ganha uma dimensão maior”, comenta Dora Lorch. Portanto, ouvir uma frase destas da boca dos pais pode causar estragos. Larissa Fonseca explica que esta falta de aceitação pode ser muito forte. “A criança não consegue entender a complexidade do mundo, e alguns adultos não têm consciência disso”, diz Larissa.
2. “Você é feio”
Xingamentos e palavras feias podem afetar a formação da autoimagem, explica Leila Tardivo. Repetidos excessivamente, também podem ser considerados violentos. Larissa Fonseca aponta que existe uma diferença sutil, mas essencial entre “você é feio” e “o que você acabou de fazer foi muito feio”, que desloca o adjetivo negativo para a ação e não para a criança.
3. “Vou te matar”
“O que traz a educação é a firmeza, e não a agressividade”, diz Içami Tiba. Ameaças do tipo servem apenas para criar medo nas crianças, o que, segundo o psiquiatra, não leva a lugar algum. “O medo não educa, só traumatiza”, diz Içami. A longo prazo, a intimidação tampouco é efetiva e esvazia o discurso dos pais, já que eles obviamente não vão cumprir o que prometeram. “Primeiro, as crianças sentem um desamor muito grande. Depois, quando descobrem que as ameaças não funcionam, não levam mais os pais a sério”, afirma Dora Lorch.
4. “Nunca mais te trago aqui”
Como a noção temporal das crianças é diferente, as punições precisam ser imediatas.
Este tipo de ameaça também não faz efeito por ser mentirosa. “As crianças sentem que estão sendo enganadas. E isso não faz bem para elas”, diz Larissa. Dora Lorch aponta que ameaças do tipo, assim como “você nunca mais vai ver televisão” ou “nunca mais vou falar com você”, passam uma ideia ambígua para criança, o que prejudica a sua formação moral.
5. “Você puxou o seu pai” ou “Você é igualzinho a sua mãe”
Quando os pais estão separados e há algum conflito entre ambos, não é nada saudável usar este tipo de frase. Segundo Leila Tardivo, as crianças entendem que elas são parecidas com a parte rejeitada – e se sentem dessa forma.
6. “Se ficar bonzinho, dou um chocolate para você”
Comportar-se bem, arrumar o quarto, guardar os brinquedos ou fazer a lição de casa são responsabilidades dos filhos, por isso eles não precisam ganhar nada em troca quando fazem isso. Quando os pais fazem estes acordos de maneira repetida, os filhos podem achar que não se tratam de deveres. “A criança precisa aprender a fazer as coisas por responsabilidade, e não porque vai ganhar algo”, diz Larissa.
7. “Para com isso, todo mundo está olhando!”
Esta frase é mais fruto do embaraço dos pais que um tipo de bronca para os filhos. Segundo Içami Tiba, ela também passa a mensagem da “campanha da boa imagem”, quando a criança só tem que parecer educada para os outros. “O que os pais estão falando é um problema deles. As crianças não ligam para o que os outros estão vendo”, explica.
8. “Fica quieto!”
No geral, as crianças tendem a atender ordens mais específicas. Quando escutam frases como esta, elas se confundem. “Ela não sabe se é para parar de falar, de pular ou de fazer o que está fazendo”, diz Dora Lorch. Os pais devem apontar exatamente o que eles gostariam que a criança fizesse.
9. “Limpe já seu quarto, senão você vai ficar de castigo”
“Quando um adulto coloca um ‘senão’ do lado de suas ordens, isso quer dizer que ele não acredita muito nelas”, diz Dora Lorch. Isso demonstra que os próprios pais já estão negociando, o que faz com que as crianças não respeitem as ordens dadas. Os “senões” só podem aparecer quando a criança questionar muito. “Firmeza é dizer que não pode, e não poder mesmo”, resume Içami
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Matéria Publicada na Revista Gestão Universitária, Edição 253
Pedagogia do encantamento
Joana D'arc Mariano Taveira
Encantar-se para aprender. Esta é condição essencial para uma aprendizagem efetiva. Para que este encantamento exista é necessário existir a MOTIVAÇÃO. Nas antigas Escolas Normais ou habilitação para o magistério em nível de segundo grau ,as normalistas ou futuros professores eram muito bem preparados para lecionar de primeira a quarta série. Não direi o mesmo dos cursos superiores que vieram substituir o Ensino Normal. Conscientemente faço esta crítica ,porque lecionei em ambos. Nos cursos Normais havia a didática de português, onde aprendia como dar uma aula de leitura,de redação, de ditado, de escrita, as técnicas e a motivação ideais para cada aula. E da mesma forma acontecia com a didática de matemática, de história, de geografia, de ciências, etc... Os programas de primeira a quarta série eram estudados em profundidade. Fui aluna de ISA TÔRRES em didática e de IONE TÔRRES em psicologia a quem devo muito do melhor de mim. Mais tarde, ELZA MENDES brilhou lecionando didática e continuando a preparar de fato professores para atuar de primeira a quarta série.
Muitas prefeituras estão colocando nos editais de concurso para professores de primeira a quarta série a exigência do curso de magistério, por reconhecer que esse professor está de fato apto a alfabetizar, possuem a segurança que o conhecimento trás, além de uma base humanística. As faculdades possuem liberdade para elaborar suas ementas e por isso o conteúdo programático diverge de uma para outra faculdade. Os cursos são teóricos não são focados nas práticas pedagógicas que é o mais importante num curso de magistério. Alfabetizar não é nada fácil. Imagine fazê-lo sem competência, é um verdadeiro desastre. O ensino de primeira a quarta série é a base de tudo. Não podemos negligenciar... Foi constatado que muitos advogados não conseguem a aprovação nos exames da OAB por causa da defasagem em português; por não saber redigir, falar, etc.
A formação do professor primário, vem sendo cada dia mais deficiente. Foi um grande equívoco acabar com o curso normal. O curso superior seria bem vindo, como um aprofundamento, mas, sem eliminar a base que eram os cursos de habilitação ao magistério ou curso normal. Outro aspecto que merece reflexão é o conteúdo programático, de primeira a quarta série, o programa deveria contemplar duas disciplinas: PORTUGUES E MATEMÁTICA, outros conteúdos viriam de forma transversal. Não está havendo a devida preocupação com a qualidade da educação. O problema é que os discursos políticos são sempre a favor da educação, mas as práticas não são sempre coerentes com os discursos.
A escola pública foi de qualidade até os anos 50, 60, 70 .Tinha ditado todo dia, tinha de fazer redação todo dia, tinha de ler todo dia. Professor ganhava bem, era gente de classe média que tinha acesso a livros estudos, viagens. Hoje, existem professores sem acesso a um computador que é uma ferramenta básica na atualidade. Em termos políticos de valorização e remuneração do professor ainda há muito o que fazer. Em termos da adoção da PEDAGOGIA DO ENCANTAMENTO nós educadores podemos colocá-la em prática, através da motivação, do lúdico, da repetição, da fixação, de métodos e técnicas apropriadas, e do estar encantados e apaixonados pela alegria de aprender e pela competência de ensinar.
Pedagogia do encantamento
Joana D'arc Mariano Taveira
Encantar-se para aprender. Esta é condição essencial para uma aprendizagem efetiva. Para que este encantamento exista é necessário existir a MOTIVAÇÃO. Nas antigas Escolas Normais ou habilitação para o magistério em nível de segundo grau ,as normalistas ou futuros professores eram muito bem preparados para lecionar de primeira a quarta série. Não direi o mesmo dos cursos superiores que vieram substituir o Ensino Normal. Conscientemente faço esta crítica ,porque lecionei em ambos. Nos cursos Normais havia a didática de português, onde aprendia como dar uma aula de leitura,de redação, de ditado, de escrita, as técnicas e a motivação ideais para cada aula. E da mesma forma acontecia com a didática de matemática, de história, de geografia, de ciências, etc... Os programas de primeira a quarta série eram estudados em profundidade. Fui aluna de ISA TÔRRES em didática e de IONE TÔRRES em psicologia a quem devo muito do melhor de mim. Mais tarde, ELZA MENDES brilhou lecionando didática e continuando a preparar de fato professores para atuar de primeira a quarta série.
Muitas prefeituras estão colocando nos editais de concurso para professores de primeira a quarta série a exigência do curso de magistério, por reconhecer que esse professor está de fato apto a alfabetizar, possuem a segurança que o conhecimento trás, além de uma base humanística. As faculdades possuem liberdade para elaborar suas ementas e por isso o conteúdo programático diverge de uma para outra faculdade. Os cursos são teóricos não são focados nas práticas pedagógicas que é o mais importante num curso de magistério. Alfabetizar não é nada fácil. Imagine fazê-lo sem competência, é um verdadeiro desastre. O ensino de primeira a quarta série é a base de tudo. Não podemos negligenciar... Foi constatado que muitos advogados não conseguem a aprovação nos exames da OAB por causa da defasagem em português; por não saber redigir, falar, etc.
A formação do professor primário, vem sendo cada dia mais deficiente. Foi um grande equívoco acabar com o curso normal. O curso superior seria bem vindo, como um aprofundamento, mas, sem eliminar a base que eram os cursos de habilitação ao magistério ou curso normal. Outro aspecto que merece reflexão é o conteúdo programático, de primeira a quarta série, o programa deveria contemplar duas disciplinas: PORTUGUES E MATEMÁTICA, outros conteúdos viriam de forma transversal. Não está havendo a devida preocupação com a qualidade da educação. O problema é que os discursos políticos são sempre a favor da educação, mas as práticas não são sempre coerentes com os discursos.
A escola pública foi de qualidade até os anos 50, 60, 70 .Tinha ditado todo dia, tinha de fazer redação todo dia, tinha de ler todo dia. Professor ganhava bem, era gente de classe média que tinha acesso a livros estudos, viagens. Hoje, existem professores sem acesso a um computador que é uma ferramenta básica na atualidade. Em termos políticos de valorização e remuneração do professor ainda há muito o que fazer. Em termos da adoção da PEDAGOGIA DO ENCANTAMENTO nós educadores podemos colocá-la em prática, através da motivação, do lúdico, da repetição, da fixação, de métodos e técnicas apropriadas, e do estar encantados e apaixonados pela alegria de aprender e pela competência de ensinar.
Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, 5 de janeiro de 2011.
Para educadores, mudar a progressão não basta
Divisão de ciclos deve ser acompanhada de outras mudanças, defendem especialistas
DE SÃO PAULO
A mudança na progressão continuada no ensino do Estado de São Paulo foi elogiada por educadores ouvidos pela reportagem. Mas eles ressaltam que ela precisa ser aliada a outras alterações.
Ontem, a Folha divulgou que os ciclos do ensino fundamental devem passar para três, elevando o número de séries em que o aluno é avaliado de forma mais completa e pode ser reprovado.
Hoje, isso acontece ao final do quinto e do nono ano. Com a mudança, poderá ocorrer também no terceiro ano, ao final do ciclo de alfabetização dos alunos.
"A medida é interessante, mas inócua se não acompanhada de outras mudanças fundamentais, como uma melhor organização dos ciclos e um professor tutor, que acompanhe de perto o aluno", afirma o professor da Faculdade de Educação da USP Nilson José Machado.
Para Rose Neubauer, professora aposentada da mesma faculdade e ex-secretaria de educação de SP, a medida precisa ser acompanhada de uma recuperação sistêmica.
"Tem que recuperar o aluno passo a passo, não ao final de cada ciclo. Deixar para corrigir tudo só no final não vai adiantar."
REPETÊNCIA
Maria Helena Guimarães, ex-secretária de educação estadual SP, diz que a mudança para os três ciclos foi considerada a mais adequada. Ela participou de um grupo de estudos que avaliou no ano passado uma série de possíveis mudanças no regime de progressão continuada, a pedido do então secretário, Paulo Renato Souza.
Segundo ela, a proposta não é aumentar a reprovação, pois apenas "casos extremos" poderão ser retidos, ao contrário do que acontece ao final dos outros ciclos.
"As crianças com mais dificuldade seriam encaminhadas para salas de recuperação", afirma.
A Secretaria Estadual de Educação também afirmou que introduzirá uma prova unificada para avaliar os alunos da rede.
Para educadores, mudar a progressão não basta
Divisão de ciclos deve ser acompanhada de outras mudanças, defendem especialistas
DE SÃO PAULO
A mudança na progressão continuada no ensino do Estado de São Paulo foi elogiada por educadores ouvidos pela reportagem. Mas eles ressaltam que ela precisa ser aliada a outras alterações.
Ontem, a Folha divulgou que os ciclos do ensino fundamental devem passar para três, elevando o número de séries em que o aluno é avaliado de forma mais completa e pode ser reprovado.
Hoje, isso acontece ao final do quinto e do nono ano. Com a mudança, poderá ocorrer também no terceiro ano, ao final do ciclo de alfabetização dos alunos.
"A medida é interessante, mas inócua se não acompanhada de outras mudanças fundamentais, como uma melhor organização dos ciclos e um professor tutor, que acompanhe de perto o aluno", afirma o professor da Faculdade de Educação da USP Nilson José Machado.
Para Rose Neubauer, professora aposentada da mesma faculdade e ex-secretaria de educação de SP, a medida precisa ser acompanhada de uma recuperação sistêmica.
"Tem que recuperar o aluno passo a passo, não ao final de cada ciclo. Deixar para corrigir tudo só no final não vai adiantar."
REPETÊNCIA
Maria Helena Guimarães, ex-secretária de educação estadual SP, diz que a mudança para os três ciclos foi considerada a mais adequada. Ela participou de um grupo de estudos que avaliou no ano passado uma série de possíveis mudanças no regime de progressão continuada, a pedido do então secretário, Paulo Renato Souza.
Segundo ela, a proposta não é aumentar a reprovação, pois apenas "casos extremos" poderão ser retidos, ao contrário do que acontece ao final dos outros ciclos.
"As crianças com mais dificuldade seriam encaminhadas para salas de recuperação", afirma.
A Secretaria Estadual de Educação também afirmou que introduzirá uma prova unificada para avaliar os alunos da rede.
Matéria publicada no jornal o Estado de São Paulo, 6 de janeiro de 2011
Alunos da rede estadual farão exames semestrais
Novo secretário da Educação anuncia reestruturação do ensino fundamental e defende o diálogo com os docentes
O novo secretário da Educação de São Paulo, Herman Voorwald, anunciou ontem, ao tomar posse, a intenção de aplicar avaliações semestrais padronizadas para os alunos da rede. As provas fazem parte de um projeto de reestruturação do ensino fundamental, a entrar em vigor em 2012.
Segundo Voorwald, o resultado dessas provas estará ligado não às reprovações, mas a um sistema de recuperação. "A reorganização do ensino fundamental passa por uma avaliação semestral de aprendizado do conteúdo e uma ação de recuperação imediata", explicou. Atualmente, os alunos da rede fazem uma prova anual do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp), mas os resultados servem para traçar um retrato da qualidade da rede e não o desempenho individual dos estudantes.
O esquema de recuperação e uma nova duração para os ciclos da progressão continuada ainda precisam ser definidos. O secretário afirmou, porém, que está "abolindo" o termo "progressão continuada" por causa da má impressão que a sociedade tem dela. "A interpretação que se fixou é de que ela (a progressão continuada) é a responsável por não se ter uma educação de qualidade. Mas ela, por si só, não é a responsável, e a reprovação não é a solução."
Desde 1998, a rede estadual adota a progressão continuada, segundo a qual os alunos são promovidos de uma série para outra independentemente das notas. Eles podem ficar retidos somente duas vezes: ao término do 5.º ano e do 9.º ano. Apenas o excesso de faltas leva à reprovação em outros anos.
O secretário também garantiu que todas as possíveis alterações passarão por uma consulta à comunidade escolar. "Não abro mão de que quem está na ponta, que são os professores, manifestem-se. A postura desta gestão é de discutir com a rede", afirmou.
A secretaria deve induzir a participação dos professores por meio de um texto a ser encaminhado a todas as escolas. As propostas dos docentes serão levantadas e organizadas pelas diretorias de ensino. "Participarei de reuniões em cada uma das 91 diretorias de ensino do Estado", disse o secretário.
Aumento. Com a promessa de uma gestão baseada no diálogo, Voorwald convidou os sindicatos da rede para uma série de reuniões, hoje. Mas negou que um possível aumento salarial esteja na pauta dos encontros.
Mas o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem, em declarações à imprensa durante a missa em memória do ex-governador Orestes Quércia (PMDB), que fará um esforço para que os professores tenham aumento real de salários ao longo do mandato, mesmo reconhecendo que ainda não há verba destinada para tal fim.
Alunos da rede estadual farão exames semestrais
Novo secretário da Educação anuncia reestruturação do ensino fundamental e defende o diálogo com os docentes
O novo secretário da Educação de São Paulo, Herman Voorwald, anunciou ontem, ao tomar posse, a intenção de aplicar avaliações semestrais padronizadas para os alunos da rede. As provas fazem parte de um projeto de reestruturação do ensino fundamental, a entrar em vigor em 2012.
Segundo Voorwald, o resultado dessas provas estará ligado não às reprovações, mas a um sistema de recuperação. "A reorganização do ensino fundamental passa por uma avaliação semestral de aprendizado do conteúdo e uma ação de recuperação imediata", explicou. Atualmente, os alunos da rede fazem uma prova anual do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp), mas os resultados servem para traçar um retrato da qualidade da rede e não o desempenho individual dos estudantes.
O esquema de recuperação e uma nova duração para os ciclos da progressão continuada ainda precisam ser definidos. O secretário afirmou, porém, que está "abolindo" o termo "progressão continuada" por causa da má impressão que a sociedade tem dela. "A interpretação que se fixou é de que ela (a progressão continuada) é a responsável por não se ter uma educação de qualidade. Mas ela, por si só, não é a responsável, e a reprovação não é a solução."
Desde 1998, a rede estadual adota a progressão continuada, segundo a qual os alunos são promovidos de uma série para outra independentemente das notas. Eles podem ficar retidos somente duas vezes: ao término do 5.º ano e do 9.º ano. Apenas o excesso de faltas leva à reprovação em outros anos.
O secretário também garantiu que todas as possíveis alterações passarão por uma consulta à comunidade escolar. "Não abro mão de que quem está na ponta, que são os professores, manifestem-se. A postura desta gestão é de discutir com a rede", afirmou.
A secretaria deve induzir a participação dos professores por meio de um texto a ser encaminhado a todas as escolas. As propostas dos docentes serão levantadas e organizadas pelas diretorias de ensino. "Participarei de reuniões em cada uma das 91 diretorias de ensino do Estado", disse o secretário.
Aumento. Com a promessa de uma gestão baseada no diálogo, Voorwald convidou os sindicatos da rede para uma série de reuniões, hoje. Mas negou que um possível aumento salarial esteja na pauta dos encontros.
Mas o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem, em declarações à imprensa durante a missa em memória do ex-governador Orestes Quércia (PMDB), que fará um esforço para que os professores tenham aumento real de salários ao longo do mandato, mesmo reconhecendo que ainda não há verba destinada para tal fim.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
MELHORAR A EDUCAÇÃO E NÃO SIMPLESMENTE AUMENTAR AS PONTUAÇÕES NAS PROVAS!
| atéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, de 02/08/10 Nota mais alta não é educação melhor Uma das principais defensoras da reforma educacional americana - baseada em metas, testes padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno e fechamento de escolas mal avaliadas - mudou de ideia. Após 20 anos defendendo um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil, Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação. Secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação na administração de George Bush, Diane foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em medição e mérito, para melhorar a educação. Suas revisão de conceitos foi apresentada no livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), lançado no mês passado nos EUA. O livro, sem previsão de edição no Brasil, tem provocado intensos debates entre especialistas e gestores americanos. Leia entrevista concedida por Diane ao Estado. Por que a senhora mudou de ideia sobre a reforma educacional americana? Eu apoiei as avaliações, o sistema de accountability (responsabilização de professores e gestores pelo desempenho dos estudantes) e o programa de escolha por muitos anos, mas as evidências acumuladas nesse período sobre os efeitos de todas essas políticas me fizeram repensar. Não podia mais continuar apoiando essas abordagens. O ensino não melhorou e identificamos apenas muitas fraudes no processo. Em sua opinião, o que deu errado com os programas No Child Left Behind e Accountability? O No Child Left Behind não funcionou por muitos motivos. Primeiro, porque ele estabeleceu um objetivo utópico de ter 100% dos estudantes com proficiência até 2014. Qualquer professor poderia dizer que isso não aconteceria - e não aconteceu. Segundo, os Estados acabaram diminuindo suas exigências e rebaixando seus padrões para tentar atingir esse objetivo utópico. O terceiro ponto é que escolas estão sendo fechadas porque não atingiram a meta. Então, a legislação estava errada, porque apostou numa estratégia de avaliações e responsabilização, que levou a alguns tipos de trapaças, manobras para driblar o sistema e outros tipos de esforços duvidosos para alcançar um objetivo que jamais seria atingido. Isso também levou a uma redução do currículo, associado a recompensas e punições em avaliações de habilidades básicas em leitura e matemática. No fim, essa mistura resultou numa lei ruim, porque pune escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações mínimas. Qual é o papel das avaliações na educação? Em que elas contribuem? Quais são as limitações? Avaliações padronizadas dão uma fotografia instantânea do desempenho. Elas são úteis como informação, mas não devem ser usadas para recompensas e punições, porque, quando as metas são altas, educadores vão encontrar um jeito de aumentar artificialmente as pontuações. Muitos vão passar horas preparando seus alunos para responderem a esses testes, e os alunos não vão aprender os conteúdos exigidos nas disciplinas, eles vão apenas aprender a fazer essas avaliações. Testes devem ser usados com sabedoria, apenas para dar um retrato da educação, para dar uma informação. Qualquer medição fica corrompida quando se envolve outras coisas num teste. Na sua avaliação, professores também devem ser avaliados? Professores devem ser testados quando ingressam na carreira, para o gestor saber se ele tem as habilidades e os conhecimentos necessários para ensinar o que deverá ensinar. Eles também devem ser periodicamente avaliados por seus supervisores para garantir que estão fazendo seu trabalho. E o que ajudaria a melhorar a qualidade dos professores? Isso depende do tipo de professor. Escolas precisam de administradores experientes, que sejam professores também, mais qualificados. Esses profissionais devem ajudar professores com mais dificuldades. Com base nos resultados da política educacional americana, o que realmente ajuda a melhorar a educação? As melhores escolas têm alunos que nasceram em famílias que apoiam e estimulam a educação. Isso já ajuda muito a escola e o estudante. Toda escola precisa de um currículo muito sólido, bastante definido, em todas as disciplinas ensinadas, leitura, matemática, ciências, história, artes. Sem essa ênfase em um currículo básico e bem estruturado, todo o resto vai se resumir a desenvolver habilidades para realizar testes. Qualquer ênfase exagerada em processos de responsabilização é danosa para a educação. Isso leva apenas a um esforço grande em ensinar a responder testes, a diminuir as exigências e outras maneiras de melhorar a nota dos estudantes sem, necessariamente, melhorar a educação. O que se pode aprender da reforma educacional americana? A reforma americana continua na direção errada. A administração do presidente Obama continua aceitando a abordagem punitiva que começamos no governo Bush. Privatizações de escolas afetam negativamente o sistema público de ensino, com poucos avanços de maneira geral. E a responsabilização dos professores está sendo usada de maneira a destruí-los. Quais são os conceitos que devem ser mantidos e quais devem ser revistos? A lição mais importante que podemos tirar do que foi feito nos Estados Unidos é que o foco deve ser sempre em melhorar a educação e não simplesmente aumentar as pontuações nas provas de avaliação. Ficou claro para nós que elas não são necessariamente a mesma coisa. Precisamos de jovens que estudaram história, ciência, geografia, matemática, leitura, mas o que estamos formando é uma geração que aprendeu a responder testes de múltipla escolha. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que é uma boa educação. E é muito mais que saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar com as necessidades dos estudantes, para que eles aproveitem a educação. QUEM É É pesquisadora de educação da Universidade de Nova York. Autora de vários livros sobre sistemas educacionais, foi secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação entre 1991 e 1993, durante o governo de George Bush. Foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para o National Assessment Governing Board, órgão responsável pela aplicação dos testes educacionais americanos. |
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