quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Matéria Publicada na Revista Gestão Universitária, Edição 253




Pedagogia do encantamento



Joana D'arc Mariano Taveira



Encantar-se para aprender. Esta é condição essencial para uma aprendizagem efetiva. Para que este encantamento exista é necessário existir a MOTIVAÇÃO. Nas antigas Escolas Normais ou habilitação para o magistério em nível de segundo grau ,as normalistas ou futuros professores eram muito bem preparados para lecionar de primeira a quarta série. Não direi o mesmo dos cursos superiores que vieram substituir o Ensino Normal. Conscientemente faço esta crítica ,porque lecionei em ambos. Nos cursos Normais havia a didática de português, onde aprendia como dar uma aula de leitura,de redação, de ditado, de escrita, as técnicas e a motivação ideais para cada aula. E da mesma forma acontecia com a didática de matemática, de história, de geografia, de ciências, etc... Os programas de primeira a quarta série eram estudados em profundidade. Fui aluna de ISA TÔRRES em didática e de IONE TÔRRES em psicologia a quem devo muito do melhor de mim. Mais tarde, ELZA MENDES brilhou lecionando didática e continuando a preparar de fato professores para atuar de primeira a quarta série.



Muitas prefeituras estão colocando nos editais de concurso para professores de primeira a quarta série a exigência do curso de magistério, por reconhecer que esse professor está de fato apto a alfabetizar, possuem a segurança que o conhecimento trás, além de uma base humanística. As faculdades possuem liberdade para elaborar suas ementas e por isso o conteúdo programático diverge de uma para outra faculdade. Os cursos são teóricos não são focados nas práticas pedagógicas que é o mais importante num curso de magistério. Alfabetizar não é nada fácil. Imagine fazê-lo sem competência, é um verdadeiro desastre. O ensino de primeira a quarta série é a base de tudo. Não podemos negligenciar... Foi constatado que muitos advogados não conseguem a aprovação nos exames da OAB por causa da defasagem em português; por não saber redigir, falar, etc.



A formação do professor primário, vem sendo cada dia mais deficiente. Foi um grande equívoco acabar com o curso normal. O curso superior seria bem vindo, como um aprofundamento, mas, sem eliminar a base que eram os cursos de habilitação ao magistério ou curso normal. Outro aspecto que merece reflexão é o conteúdo programático, de primeira a quarta série, o programa deveria contemplar duas disciplinas: PORTUGUES E MATEMÁTICA, outros conteúdos viriam de forma transversal. Não está havendo a devida preocupação com a qualidade da educação. O problema é que os discursos políticos são sempre a favor da educação, mas as práticas não são sempre coerentes com os discursos.



A escola pública foi de qualidade até os anos 50, 60, 70 .Tinha ditado todo dia, tinha de fazer redação todo dia, tinha de ler todo dia. Professor ganhava bem, era gente de classe média que tinha acesso a livros estudos, viagens. Hoje, existem professores sem acesso a um computador que é uma ferramenta básica na atualidade. Em termos políticos de valorização e remuneração do professor ainda há muito o que fazer. Em termos da adoção da PEDAGOGIA DO ENCANTAMENTO nós educadores podemos colocá-la em prática, através da motivação, do lúdico, da repetição, da fixação, de métodos e técnicas apropriadas, e do estar encantados e apaixonados pela alegria de aprender e pela competência de ensinar.
Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, 5 de janeiro de 2011.




Para educadores, mudar a progressão não basta



Divisão de ciclos deve ser acompanhada de outras mudanças, defendem especialistas



DE SÃO PAULO



A mudança na progressão continuada no ensino do Estado de São Paulo foi elogiada por educadores ouvidos pela reportagem. Mas eles ressaltam que ela precisa ser aliada a outras alterações.



Ontem, a Folha divulgou que os ciclos do ensino fundamental devem passar para três, elevando o número de séries em que o aluno é avaliado de forma mais completa e pode ser reprovado.



Hoje, isso acontece ao final do quinto e do nono ano. Com a mudança, poderá ocorrer também no terceiro ano, ao final do ciclo de alfabetização dos alunos.



"A medida é interessante, mas inócua se não acompanhada de outras mudanças fundamentais, como uma melhor organização dos ciclos e um professor tutor, que acompanhe de perto o aluno", afirma o professor da Faculdade de Educação da USP Nilson José Machado.



Para Rose Neubauer, professora aposentada da mesma faculdade e ex-secretaria de educação de SP, a medida precisa ser acompanhada de uma recuperação sistêmica.



"Tem que recuperar o aluno passo a passo, não ao final de cada ciclo. Deixar para corrigir tudo só no final não vai adiantar."



REPETÊNCIA

Maria Helena Guimarães, ex-secretária de educação estadual SP, diz que a mudança para os três ciclos foi considerada a mais adequada. Ela participou de um grupo de estudos que avaliou no ano passado uma série de possíveis mudanças no regime de progressão continuada, a pedido do então secretário, Paulo Renato Souza.



Segundo ela, a proposta não é aumentar a reprovação, pois apenas "casos extremos" poderão ser retidos, ao contrário do que acontece ao final dos outros ciclos.



"As crianças com mais dificuldade seriam encaminhadas para salas de recuperação", afirma.



A Secretaria Estadual de Educação também afirmou que introduzirá uma prova unificada para avaliar os alunos da rede.
Matéria publicada no jornal o Estado de São Paulo, 6 de janeiro de 2011




Alunos da rede estadual farão exames semestrais

Novo secretário da Educação anuncia reestruturação do ensino fundamental e defende o diálogo com os docentes

O novo secretário da Educação de São Paulo, Herman Voorwald, anunciou ontem, ao tomar posse, a intenção de aplicar avaliações semestrais padronizadas para os alunos da rede. As provas fazem parte de um projeto de reestruturação do ensino fundamental, a entrar em vigor em 2012.



Segundo Voorwald, o resultado dessas provas estará ligado não às reprovações, mas a um sistema de recuperação. "A reorganização do ensino fundamental passa por uma avaliação semestral de aprendizado do conteúdo e uma ação de recuperação imediata", explicou. Atualmente, os alunos da rede fazem uma prova anual do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp), mas os resultados servem para traçar um retrato da qualidade da rede e não o desempenho individual dos estudantes.



O esquema de recuperação e uma nova duração para os ciclos da progressão continuada ainda precisam ser definidos. O secretário afirmou, porém, que está "abolindo" o termo "progressão continuada" por causa da má impressão que a sociedade tem dela. "A interpretação que se fixou é de que ela (a progressão continuada) é a responsável por não se ter uma educação de qualidade. Mas ela, por si só, não é a responsável, e a reprovação não é a solução."



Desde 1998, a rede estadual adota a progressão continuada, segundo a qual os alunos são promovidos de uma série para outra independentemente das notas. Eles podem ficar retidos somente duas vezes: ao término do 5.º ano e do 9.º ano. Apenas o excesso de faltas leva à reprovação em outros anos.



O secretário também garantiu que todas as possíveis alterações passarão por uma consulta à comunidade escolar. "Não abro mão de que quem está na ponta, que são os professores, manifestem-se. A postura desta gestão é de discutir com a rede", afirmou.



A secretaria deve induzir a participação dos professores por meio de um texto a ser encaminhado a todas as escolas. As propostas dos docentes serão levantadas e organizadas pelas diretorias de ensino. "Participarei de reuniões em cada uma das 91 diretorias de ensino do Estado", disse o secretário.



Aumento. Com a promessa de uma gestão baseada no diálogo, Voorwald convidou os sindicatos da rede para uma série de reuniões, hoje. Mas negou que um possível aumento salarial esteja na pauta dos encontros.



Mas o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem, em declarações à imprensa durante a missa em memória do ex-governador Orestes Quércia (PMDB), que fará um esforço para que os professores tenham aumento real de salários ao longo do mandato, mesmo reconhecendo que ainda não há verba destinada para tal fim.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Aos Amigos

Natal
Um momento doce e cheio de significado para as nossas vidas.


É tempo de repensar valores, de ponderar sobre a vida e tudo que a cerca.

É momento de deixar nascer essa criança pura, inocente e cheia de esperança que mora dentro de nossos corações.

É sempre tempo de contemplar aquele menino pobre, que nasceu numa manjedoura, para nos fazer entender que o ser humano vale por aquilo que é e faz, e nunca por aquilo que possui.



Noite cristã, onde a alegria invade nossos corações trazendo a paz e a harmonia.



O Natal é um dia festivo e espero que o seu olhar possa estar voltado para uma festa maior, a festa do nascimento de Cristo dentro de seu coração.

Que neste Natal você e sua família sintam mais forte ainda o significado da palavra amor, que traga raios de luz que iluminem o seu caminho e transformem o seu coração a cada dia, fazendo que você viva sempre com muita felicidade.



Também é tempo de refazer planos, reconsiderar os equívocos e retomar o caminho para uma vida cada vez mais feliz.

Teremos outras 365 novas oportunidades de dizer à vida, que de fato queremos ser plenamente felizes.



Que queremos viver cada dia, cada hora e cada minuto em sua plenitude, como se fosse o último.

Que queremos renovação e buscaremos os grandes milagres da vida a cada instante.

Todo Ano Novo é hora de renascer, de florescer, de viver de novo.

Aproveite este ano que está chegando para realizar todos os seus sonhos!



FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Solidarieda na Escola

A construção da solidariedade na escola:




Durante a aula de matemática, na primeira semana de Dezembro, foi sugerido aos alunos da 7ª “A”, com a orientação do Profº Paulo , que fizessem uma reflexão,sobre o que aconteceu com o colega Pablo e o que nós poderíamos fazer para demonstrar nossa Solidariedade!Essa reflexão teve como objetivo , proporcionar um relacionamento de harmonia e compreensão, com base no respeito ao próximo. Levando todos a entender o verdadeiro sentido da vida e refletir a importância do ser humano,principalmente aqueles que estão a nossa volta.

Os alunos escreveram várias mensagens de apoio ao colega Pablo.O professor recolheu-as e entregou a coordenadora , para que envie a família.

“Se cada um de nós puder pôr em prática pequenos atos simples, que não nos tomam mais que segundos e sequer nos fazem gastar dinheiro seria mais terna a vida”.




Pablo

Todos nós da EE. Profº Dirceu Junqueira de Souza “,estamos torcendo por você!Pois você já é um Vencedor!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Leitura

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 16/11/10




"Crioulinha..."



RUBEM ALVES



UMA DAS MEMÓRIAS felizes que tenho de minha infância me leva de volta à escola. Eu estava no terceiro ano primário. Era a aula de leitura. Não, não era aula em que líamos para a professora ouvir e corrigir. Ao contrário, era a professora que lia para nos deliciar. Foi assim que aprendi a amar os livros. Não aprendi com a gramática.



Dizem que os jovens não gostam de ler. Mas como poderiam amar a leitura se não houvesse alguém que lesse para eles? Aprende-se o prazer da leitura da mesma forma como se aprende o prazer da música: ouvindo. A leitura da professora era música para nós.



A professora lia e nós nos sentíamos magicamente transportados para um mundo maravilhoso, cheio de entidades encantadas. O silêncio era total. E era uma tristeza quando a professora fechava o livro. "O Saci", "Viagem ao Céu", "Caçadas de Pedrinho", "Reinações de Narizinho". Esses eram os nomes de algumas das músicas que ela interpretava. E o nome do compositor era Monteiro Lobato.



Mas agora as autoridades especializadas em descobrir as ideologias escondidas no vão das palavras descobriram que, por detrás das palavras inocentes, havia palavras que não podiam ser ditas.



onteiro Lobato ensina racismo. E apresentam como prova as coisas que ele dizia da negra Tia Anastácia...



A descoberta exigia providências. Era preciso proibir as palavras racistas. Monteiro Lobato não mais pode frequentar as escolas...



Assustei-me. Senti-me ameaçado. Fiquei com medo de que me descobrissem racista também. Tantas palavras proibidas eu já disse.



É preciso explicar. Naqueles tempos, tempos ainda com cheiro da escravidão, havia um costume... As famílias negras pobres com muitos filhos, sem recursos para sustentá-los, ofereciam às famílias abastadas, brancas, para serem criados e para trabalhar. Assim era a vida. Foi assim na minha casa. Veio morar conosco uma meninota de uns dez anos, a Astolfina, apelidada de Tofa. Escrevi sobre ela no meu livro de memórias "O Velho que Acordou Menino". Cuidou de mim, dos meus irmãos, e morou conosco até se casar. Acontece que, ao contar sobre ela, eu usei uma palavra que fazia parte daquele mundo: "crioulinha". Era assim que se falava porque essa era a palavra que fazia parte daquele mundo. Imaginem que, obediente à "linguagem politicamente correta", eu, hoje, tivesse escrito no meu livro "uma jovem de ascendência afro"... Não. Esse não era o mundo em que a Astolfina viveu.



As palavras são a carne do mundo. Não podem ser substituídas por outras, ainda que mais verdadeiras, ainda que sinônimas. É preciso dizê-las como foram ditas para que o mundo que foi fique vivo novamente. A história se faz com palavras que faziam parte da vida. Aí, então, se pode explicar, como nota de rodapé: "Era assim. Não é mais...".



Estou com medo de que as ditas autoridades descubram que usei a palavra racista "crioulinha" para me referir àquilo que, hoje, seria "uma jovem de ascendência afro".



Estou, assim, tomando minhas providências. Para que não coloquem meu livro no "Índex" vou apagar a palavra "crioulinha" do texto e, sempre que precisar me referir à Tofa, direi que ela era uma governanta suíça e ruiva, uniformizada de branco e touca, para evitar que fios de cabelo caíssem na comida... Assim, meu livro purificado do racismo poderá frequentar as escolas...

domingo, 14 de novembro de 2010

Reflexão


Sobra mau gosto, falta brincadeira




A EXPRESSÃO "brincadeira de mau gosto", agora, virou moda entre crianças, adolescentes e até adultos.



E pior: ela tem sido usada, principalmente pelos mais novos, para explicar as situações mais absurdas e até tragédias que acontecem em nosso mundo.



Você se lembra, caro leitor, do garoto de nove anos que morreu na escola que ele frequentava, vítima de um tiro?



Pois em uma reportagem que abordava o assunto, colegas do menino chegaram a enunciar a hipótese de a tragédia ter ocorrido pelo descontrole do que seria, inicialmente, uma "brincadeira de mau gosto" entre colegas.



E o tal "rodeio de gordas", uma espécie de jogo universitário em que alunos da Unesp do campus de Assis demonstravam interesse em paquerar alunas com sobrepeso e, depois de conquistar a atenção delas, agarravam as garotas por trás e tentavam se manter nessa posição o maior tempo possível, simulando um rodeio? Da mesma maneira, o evento foi descrito por alguns alunos como uma "brincadeira de mau gosto".



Em escolas, é comum crianças serem humilhadas com apelidos, por colegas, ou serem excluídas e isoladas pelos mais diversos motivos e, da mesma maneira, as crianças nomeiam tais situações com a mesma expressão.



Até programas de televisão, agora, exploram o tema com as já conhecidas "pegadinhas" que, invariavelmente, colocam pessoas em situação de vexame, humilhação etc. Pois não é que as pegadinhas são chamadas de brincadeiras? De mau gosto, é claro. Que pena que juntamos nessa expressão conceitos tão antagônicos.



Brincadeira supõe, acima de qualquer coisa, diversão das pessoas envolvidas. Brincar é um ato lúdico muito próprio da infância, e que acaba por se estender pela vida toda. O que seria da nossa vida sem as brincadeiras e o prazer que elas proporcionam?



Por isso, fica difícil de entender a popularização da expressão em questão. Sabemos que o tempo que vivemos não ajuda os mais novos a construírem um sentido para a vida. Ao contrário: vivemos uma época dominada pela cultura do tédio, situação muito bem abordada e explanada por Yves de La Taille em seu último livro, "Formação Ética do Tédio ao Respeito de Si" (Editora Artmed).



Concomitantemente, a importância do poder de um sobre o(s) outro(s) e o valor do individualismo também colaboram para esse clima de vazio da existência que começa a ser sentido por muitos, já na infância.



Em conjunto, talvez essas características do mundo contemporâneo, combinadas com algumas outras, tenham favorecido o surgimento e o crescimento das tais "brincadeiras de mau gosto", cada vez mais frequentes e presentes na vida dos mais novos. E é bom lembrar que o lugar de vítima e de agente, nesses casos, podem se alternar na vida de qualquer um deles.



Precisamos intervir nessa história para que crianças, adolescentes e jovens entendam que a vida social sustenta a vida pessoal e, portanto, quando não colaboramos para que os relacionamentos sociais sejam respeitosos, comprometemos nossa própria vida pessoal.



Da forma que temos permitido e inclusive participado de várias maneiras da criação dessas chamadas "brincadeiras de mau gosto", desconstruímos o conceito tão caro do ato de brincar, principalmente na infância e, mais ainda, contribuímos decisivamente para uma cultura de desrespeito, de si e do outro. É um futuro com tais características que desejamos aos nossos filhos?









--------------------------------------------------------------------------------

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)

COMENTÁRIOS RECENTES